quarta-feira, maio 07, 2008
caneta vermelha
se te contasse não acreditavas, mas sabe bem esta coisa de ser novo. de não estar mais preso. lembras-te da não-mudança? risca isso.
caneta vermelha em riste, apaga o que já apagaste e reescreveste, porque a partir de hoje essa caneta é só tua. não existirão mais entre-linhas para ti. já não existes sequer.
a ti não te espero numa próxima vida, porque não me fazes lembrar nenhum sabor, nem pêssego nem outro qualquer.
só o álcool de noites perdidas entre multidões de que agora fujo a sete pés.
até.

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pelo Miguel às 12:38 a.m. | aqui | 5 comments
sexta-feira, abril 11, 2008
sun will shine from time to time



Texas - Say What You Want



Nem duas mãos cheias de emoções tínhamos, corríamos cheios de energia por onde nos deixassem, levávamos as palavras gravadas nos olhos e queríamos mostrá-las a todos. Eu chegava sempre depois do toque, mas sabia que ias interromper a professora assim que me sentisses a abrir a porta da sala, o caminho que fazia entre a altura em que me cruzava com a Dona Natevidade, na portaria, e a sala, era sempre a pensar no cheiro que ias ter hoje, no que ias trazer vestido, no que ia saber o teu beijo hoje, sabia sempre a pêssego, tu adoravas aqueles rebuçados de pêssego, mas era sempre um dócil exercício da minha imaginação fértil.
Tinha direito ao abraço mais comprido, ao beijo mais quente, às palavras mais doces.

É impossível não me lembrar de tudo isto quando oiço esta canção, era o que ouvíamos. Nem sabíamos falar inglês, tentávamos cantar da forma mais portuguesa que conseguíssemos, mas cantávamos, e sorríamos.

Hoje isto já não é genuíno, há sempre segundas intenções por detrás de tudo, e as pessoas agem por interesse próprio. Fazem disto um negócio, como se da bolsa de valores se tratasse. Vender, comprar, gostar, não gostar.
Eras mágica, e todos estes pedaços de ti que ainda guardo, guardá-los-ei enquanto tiver vontade própria.

Um abraço, um beijo e até uma próxima vida.

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pelo Miguel às 1:46 a.m. | aqui | 3 comments
quinta-feira, março 20, 2008
tu és o que pareces ao mundo

Nestas merdas, nada é linear.
Num dia estás bem, no outro estás de rastos. Mas a culpa não chega a ser culpa de ninguém, porque no fim de contas andamos todos aqui para o mesmo.

Tu és o que pareces ao mundo, não há mudança. Ninguém é verdadeiramente genuíno, isso já não é destes tempos. O que tentamos é inovar, é apelar ao instinto para imaginar o mais desejável e segui-lo. E se o alcanças alguma vez, não interessa mais nada, já lá chegaste, já és mais que muitos outros iguais.

Por isso, cada vez mais vejo o nosso tempo em Vida como um tempo sozinho, em que nos tornamos no que idealizamos. E depois ninguém mais nos pode tocar.
É isso.

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pelo Miguel às 4:15 a.m. | aqui | 4 comments
segunda-feira, março 03, 2008
é só mais um começo

Já começa a cansar os sentidos. Antes tinha controlo sobre quase tudo, agora esse rigor foge-me a toda a hora. Impulsivo, como se fosse louco, sem limites.
Eu não quero ser um fardo, não quero ser uma pessoa a evitar, a manter à distância.
Acabar com os segredos forçados, olhar o céu sem a vista cortada, porque isto toca a todos.
Não seremos os únicos de costas voltadas com estas fatalidades.

Eu tenho estas recordações, pedaços de conversas, conversas guardadas, consigo sempre situar-me no tempo exacto em que aconteceram.
E lembro-me de todas as expressões nas nossas caras, e de como me sentia.

Fodemos a cabeça e o corpo com drogas e álcool, tentamos moldar-nos ao mundo e às pessoas - porque nascemos todos fáceis demais - mas nunca chegamos a consegui-lo a tempo.

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pelo Miguel às 2:51 a.m. | aqui | 4 comments
sexta-feira, novembro 30, 2007
o tempo que rouba o tempo

Por vezes páro e apercebo-me do tempo que o tempo me rouba. Apercebo-me que posso estar a passar ao lado de imensa coisa. E apesar de todo o espanto, sei que não posso fazer muito por isso.
Porquê? Não, quem faz as perguntas sou eu. Até que ponto a vontade tem limites?
Nada aqui nos corre de feição, talvez a exigência nos sufoque sempre um pouco do empenho que pomos no que fazemos.

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pelo Miguel às 7:32 p.m. | aqui | 3 comments
segunda-feira, outubro 29, 2007
"É só mais um dia mau"

Sejamos razoáveis, todos temos fases.
E não somos muito mais do que consequências das acções dos outros, vivemos sob essa ameaça.
Temos um temperamento demasiado sujeito a algo que não podemos controlar, o que jamais poderá ser saudável.
Por isso convém sempre guardar um bocado de vontade no bolso de trás, só para o que der e vier.
Somos constantes na inconstância de nunca saber ao certo o que nos paira na cabeça, e o que nos espera no dia seguinte, e no seguinte.
"É só mais um dia mau."

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pelo Miguel às 10:22 p.m. | aqui | 1 comments
terça-feira, outubro 09, 2007
o imprevisto

Lembro-me de atravessar as ruas de Lisboa só com música nos ouvidos, nem ouvia os passos de todas as pessoas que me cruzavam a sombra.
Gostava de observar os hábitos.
Na rua estão todos alheios ao que se passa, com a cabeça noutro sítio. Muito além. Mas todos têm uma história diferente para contar se quisermos perguntar.
E adorava imaginar as vidas de todos. Só naquela observação sucinta, gostava de me recriar em histórias sem fim. E vivia muito assim.
Tinha muitos sonhos, e sobretudo muitas vontades. De conhecer sítios e gentes diferentes.

Há que medir o que nos cabe nas mãos.
Porque a idade não nos espera mais à frente, enquanto recuperamos fôlego do último atraso que tivemos.
Vivemos assentes no imprevisto, a mim é isso que me move. O imprevisto.

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pelo Miguel às 12:10 a.m. | aqui | 1 comments
terça-feira, julho 17, 2007
aprender a viver

Juro que te consigo ver a ser espezinhada como eu, no meio de toda esta gente que passa e não passa por nós. Que nos trespassa como quem joga dados num jogo a brincar. Não te assustes. As pessoas funcionam como máquinas, sabias? Ninguém sente o que diz, e ninguém faz o que quer. Acho que nem mesmo eu.

Não podes é levar ninguém a sério, por favor. Limita-te ao que está realmente ao teu alcance, ao que podes mesmo fazer, à "realização pessoal para bem pessoal", como eu lhe gosto de chamar. O resto virá por acréscimo. Os sentimentos? Desfaz-te disso o mais cedo que puderes, ninguém aqui se agarra com pés e mãos ao que quer que seja. Criam-se rotinas, apegos e ficas com tudo colado na testa da imaginação, sem nunca te conseguires realmente afastar do que outrora te encheu. Por isso faz-te comprometida, e saberás bem quando te afastar.

E todas as coisinhas que ainda te vão sobrar, mata-as com o tempo. Não há nada melhor. Tudo o que te fez sentir o mundo entre os dedos, e o peito cheio de palavras bonitas para dizer. Tens de esquecê-lo. Eu não consegui, agarrei-me de mais.

Esquece. Levanta-te e faz-te à vida. Eu cá já me habituei demasiado a isto, a ficar para trás, para onde mais ninguém volta a olhar.

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pelo Miguel às 2:37 a.m. | aqui | 8 comments
sábado, junho 23, 2007
21

É impressionante como as relações se quebram e as pessoas se desconhecem. Isso não devia fazer parte da natureza humana. Como se separam e se desfazem depois de tão compactas. Talvez o problema seja pensarmos demasiado à frente. Vivermos com um pé à frente, sem aproveitar o instante. Porque se aproveitarmos para parar um pouco, vemos toda a magia que nos está a passar ao lado. Mas não. Ainda hoje revi mais um pedaço. Lembrei-me de mais um sorriso. E de cachecóis e boa disposição.

Tenho mais um ano em cima. 21 agora. E quando faço o balanço, quando me peso, sinto-me mais pessoa, mais prático e mais frio. E é tudo. Tenho demasiadas coisas a ocuparem-me a cabeça e ainda não me apercebi bem da dimensão do que se passa à minha volta.

Não posso acrescentar muito mais à rotina das minhas palavras.

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pelo Miguel às 7:44 p.m. | aqui | 6 comments
quinta-feira, maio 17, 2007
weather reports

sinto o vento pentear-me o rosto. aos poucos vou-me sentindo vivo outra vez, sabias? ainda estou de ressaca de gostar tanto de ti. mentira. ainda nem estou de ressaca. não me consigo largar dessa dependência.

"well i left my baby for a dream as lovely, for a love that's only in books i read. and then i hit the cities, spent all my money, i just left my whole life in a taxi cab. cause it's just a memory, i can't love completely, when you're really with me, i'm indifferent." diz a música, e digo aos teus ouvidos todos os dias. merda. não és tu, não está aqui ninguém. tenho estado sempre a falar sozinho, afinal.

ontem gritei à janela porque nunca mais me ouviste. foi em desespero mas tenho de te fazer sentir-me, tens de ter arrepios com a minha proximidade, tens de te mostrar e demonstrar, desfazer-me de equívocos de uma vez por todas. tens, porque senão eu morro. eu não vivo. eu deixo de ser. fico saudoso.

não digo que te amo, porque ninguém sabe o que isso é ao certo.


Bright Eyes – Weather Reports

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pelo Miguel às 7:55 p.m. | aqui | 5 comments
terça-feira, maio 15, 2007
estamos sempre a apostar

Enquanto olhas aí de cima, eu tremo aqui em baixo. Não tenho explicação sensata para a minha maneira de agir, só o medo. E eu não sou assim. Não me escondo, não fujo. Mas assusto-me, com o que significas para mim.
E fiz daquelas promessas descartáveis, de não perder a sanidade tentando ganhar mais de ti. Mas acho que estou a perder. A aposta e a sanidade. Mas depois penso, estamos sempre a apostar, não é? A apostar fazer, ser, sentir, ter. E eu não te tenho. Por isso perdi.


Ainda hoje entrelaço os dedos, à procura das sensações que nunca descrevi quando os dedos eram os teus e os meus. Os nossos, muito nossos. Quando olhava para ti, o mundo éramos nós. E agora não consigo aceitar que não há volta a dar.

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pelo Miguel às 1:07 a.m. | aqui | 2 comments
segunda-feira, abril 30, 2007
meia dúzia de centímetros quadrados

Todos têm o seu espaço. Percebe-se isso quando se vê os olhos assustados nas ruelas que se atropelam. Meia dúzia de centímetros quadrados a que nos cingimos, quando queremos só respirar sem ser olhados, é o nosso pedaço de mundo que mais ninguém pisa.

Hoje sinto que tenho mais do que essa meia dúzia, que me estou a dar tempo. No fundo, sei que sou o protótipo do rapaz assustado e carregado de cinzentos, que todos os dias questiona o aceitável. Sei que não sou razoável muitas das vezes que tento expressar sentimentos, desacredito tudo ao começo. Mas ainda acredito que estamos todos a mudar, a mudar para pessoas mais maduras, a crescer, porque é algo que não podemos mesmo simplesmente parar.

Mas estou bêbado de saudade



"I know you dream of saving me like I'm some plane that you could land. But when you fly you'll be leaving your man."

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pelo Miguel às 11:48 p.m. | aqui | 3 comments
domingo, março 25, 2007
Desabafo IV

Os dias passam sem reacções exuberantes, as paredes já me acolhem com o conforto de quem me abraça há anos, e o chão acomoda-se ao meu espaço num instante, do tecto caem farpas de todas as promessas a que me propus, das ruas chegam gritos de quem me quer demais. Quase que me atrevo a dizer que cada vez mais me canso de ser.

A verdade é que me falta conversa em vez de gritos, que me falta paciência em vez de pressa, e palavras soletradas em vez de discursos confusos. Não, expliquem-me antes o que se passa com vocês. Todos.

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pelo Miguel às 7:46 p.m. | aqui | 9 comments
segunda-feira, março 19, 2007
reinvenção

Dou por mim a escrever sobre promessas, olhares, tristezas, momentos, amor, tudo coisas suaves ao olhar de quem lê, com muito já escrito e muito ainda por escrever. Por isso, por vezes acho bem parar para tentar reinventar um bocado o que escrevo, e o que quero escrever. Escrevo porque são conformidades e atitudes que me deixam curioso, e que procuro compreender exactamente como surgem e o que significam.

Os sentimentos surgem com a mesma facilidade com que são quebrados, e aqui entra a teoria das rotinas que eu defendo: com tanta gente a quebrar sentimentos, acabamos por nos desfazer de toda a sensibilidade que tínhamos ao simples começar e acabar de uma relação, acabamos por banalizar o desenvolvimento e o fim de uma relação de partilha, que supostamente seria eterna.

O que é que se passa com as pessoas? Ninguém parece ter medo de ser deixado para trás, todos se apresentam muito calculistas, sabem até onde podem ir, decoram o que vão dizer e concentram-se no que nunca devem pronunciar, no fundo, reduzem-se a seres amestrados sem liberdade própria. Sinceramente? A mim mete-me medo, muito. Porque eu nunca vou querer ser assim, e todos os dias o evito.

Já não se vivem mais aqueles dias de emoção, e as pessoas de coração acelerado. Bolas.

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pelo Miguel às 10:59 p.m. | aqui | 5 comments
sexta-feira, março 09, 2007
fazes-me falta

Já ninguém se espanta. Entras neste quarto com os passos contados e sem pedir licença, pareces já saber onde mexer, o que arrumar no meio deste caos. Já sabes em que paredes o sol bate, e onde o mal já está feito e não podes mexer, demoras sempre o teu tempo certo todos os dias, como uma dona de casa contratada a prazo. Metes tudo no seu lugar e sais pela porta que escancaraste há minutos, trocamos a conversa mais que banal, e deixamos sempre promessas por concretizar.

Há dias ficaste mais tempo que o costume. Acabamos por falar mais do que o costume, e por ser mais do que o costume. Acho que nesse dia o sol entrou um pouco mais neste quarto.

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pelo Miguel às 9:29 p.m. | aqui | 6 comments
domingo, março 04, 2007
histórias de vida

Só a vi de longe, nem lhe cheguei a saber o nome, vi-lhe a cara num movimento suave em que afastou o cabelo da face, exausta até ao limite. Contorcia-se na cadeira, de pernas cruzadas, ocupando um espaço mínimo, na mesa tinha uma chávena de café vazia, a debitar histórias de vida, tinha também um cinzeiro a contar horas de espera. Tinha os olhos fragilizados de tanto observar as pessoas, conservava durante muito tempo a mesma posição e aparentava calma, talvez conformada com o modo como lhe corria a vida.
Estava indiferente ao fluxo de gente que lhe cruzava a vista e o espaço, era como um peso morto num caos de gente, chegou a esboçar um olhar pelo meio das pessoas. Procurando algo em que se conseguisse fixar, consegui ver um brilho nos seus olhos. Parecia saber que aquele seria um rasgo no tempo de impacto soberbo, parecia ciente de estar perante um momento único.
Um vulto destaca-se da multidão, um rapaz aproxima-se dela, e num abraço forte mata-lhe a saudade e o tédio de horas de espera. Trocaram cumplicidades e votos para uma vida inteira, finalmente pude vislumbrar o seu sorriso rasgadíssimo e mais que sentido.

As relações de precisar-ter acabam por nos levar sempre a uma recompensa maior que tudo, e vale imenso a pena esperar o tempo que for necessário, sempre. Hoje preciso, e amanhã vou precisar ainda mais.

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pelo Miguel às 6:45 p.m. | aqui | 2 comments
segunda-feira, fevereiro 26, 2007
Dar demais

Muitas vezes temos medo de nos dar demais, vezes há em que nos damos mesmo demasiado. Ainda ontem passeávamos a nossa cumplicidade em praça pública, e hoje tudo o que temos são trapos de desculpas descosidas. Nunca saberemos ao certo a profundidade das nossas intenções, porque tropeçamos logo no superficial, não nos deixamos perceber. E acaba por se tornar num ciclo viciante, todas as gentes na rua a tentarem perceber-se umas as outras, todos colidem todos os dias, todos precisam de calor, todos precisam de relações, todos precisam de tudo o que não têm sem todos. Mas no fundo. No fundo todos vivem a mesma vida triste, aos pontapés na sorte, à espera de um chuto certeiro na bonança aleatória que lhes abanará a vida.

Será impessoal dizer que tudo se esquece numa noite? Não sei.
Sei que aquele lugar e todos os seu semelhantes, têm qualquer coisa de mágico, são a forma mais natural de limpar a cabeça e de dar calma ao sobressalto. E sei que aquela miúda é a coisa que mais me fascina em tudo o que conheci até hoje.

Tudo o que perdeste a meu lado, consegui condensar num texto de insónia.

Dar demais é perigoso neste mundo demais.

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pelo Miguel às 11:58 p.m. | aqui | 7 comments
terça-feira, outubro 03, 2006
Dói demais

Dói demais viver este fado, viver este mundo ausente, e por si só, duro.
Temos feridas que abrem e re-abrem sobre a batuta de um coração desorientado, temos gentes pouco preocupadas em dar tempo ao tempo, que jamais necessitará dele.
Gosto de pluralizar, para estrangular a solidão que envolve cada palavra tratada na primeira pessoa.

Sabes que o relógio também não ajuda, parece que gira mais depressa que os outros, e que se orgulha quando me vê sem conseguir contar há quantas semanas não te vejo.

Desculpa estar sempre a evocar tempos passados, mas convivo com eles todos os dias, como memórias risonhas. Fazem-me sentir bem quando preciso.

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pelo Miguel às 7:31 p.m. | aqui | 16 comments
sábado, setembro 23, 2006
Sê frontal

Porque o passado daria para escrever toneladas de textos,
Hoje relembrei-me de promessas absurdas que deixamos decalcadas numa qualquer conversa informal.
Agora choro perante este papel com letras cheias de significado, com letras que dão à manivela e te projectam na parede branca pregada dos nossos clichés eternos.
O cliché é uma palavra tão nossa.
Serão momentos que eu te juro a pés juntos, não mais voltar a esquecer, e até talvez a viver.
E conheces melhor maneira de relembrar toda essa efemeridade num tempo redondo, do que aproveitar uma noite de insónia calculada para escrever este texto?

Assustas-me pela força que tens. Pela vontade. Pela certeza de cada palavra que sai de ti. Pelo controlo que tens dos movimentos, do que se passa à tua volta. Pela harmonia dos teus sentidos. Pela resposta razoável, sempre pronta na ponta da língua.
É isto que sinto, tudo o que escrevi até hoje.
Agora é a tua vez.
Sê frontal.

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pelo Miguel às 12:47 p.m. | aqui | 4 comments
domingo, setembro 17, 2006
Agora & Agora

Não tenho mais palavras, porque gastei-as todas a tentar-te fazer entender como são as coisas deste lado. Espero que percebas o impacto que teêm os teus actos aqui, a dimensão do caos das tuas palavras. És mais forte do que alguma vez podes julgar, és cativante quanto baste, és tu. E não devias ter autoridade para fazeres o que fazes.


Sabes que se lê para além das palavras? Quando um dia o perceberes, vais ver que és a musa desta poesia barata.
Agora que se trata de viver a vida, deixei-me de bucolismos.

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pelo Miguel às 7:30 p.m. | aqui | 6 comments